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Baixa Pressão Ocular e Síndrome de Efusão Uveal: Entenda os Riscos e Tratamentos

Por Dra. Louize Galletti

Na oftalmologia, muitas vezes focamos no perigo da pressão alta nos olhos, como no Glaucoma. Porém, condições que envolvem o acúmulo anormal de líquidos e alterações na estrutura ocular, muitas vezes com pressão normal ou baixa, podem ser igualmente desafiadoras. Hoje, quero conversar com você sobre duas condições complexas, mas que exigem um diagnóstico preciso para preservar a visão: a Síndrome de Efusão Uveal e a Maculopatia por Hipotonia.

Se você recebeu algum desses diagnósticos ou percebeu alterações visuais incomuns, este artigo vai ajudar a esclarecer o que está acontecendo dentro do seu olho.

O Que é a Síndrome de Efusão Uveal?

A Síndrome de Efusão Uveal ocorre quando há um acúmulo anormal de líquido seroso na camada externa do corpo ciliar e da coróide. Imagine que, sob condições normais, o olho mantém um equilíbrio perfeito entre a pressão do sangue e a pressão das proteínas (albumina) para manter os tecidos saudáveis. Para que esse equilíbrio funcione, a albumina precisa sair da coróide através da esclera (a parte branca do olho).

No entanto, em alguns pacientes, a esclera pode ser anormalmente espessa ou ter uma composição que dificulta essa passagem. Isso cria uma resistência, aprisionando proteínas e puxando líquido para dentro do tecido, gerando o que chamamos de descolamento exsudativo da coróide e do corpo ciliar.

É interessante notar que, diferentemente de outras doenças oculares, na Síndrome de Efusão Uveal, a pressão intraocular costuma ser normal.

Sinais de Alerta e Diagnóstico

O diagnóstico desta síndrome é, muitas vezes, feito por exclusão. Ou seja, precisamos descartar outras causas de inflamação ou doenças sistêmicas. Clinicamente, observamos alguns sinais característicos:

Descolamento de Retina não-regmatogênico: O acúmulo de líquido pode descolar a retina, geralmente começando na parte inferior. Diferente dos descolamentos comuns, este tipo não se move com os movimentos oculares.

Manchas de Leopardo: O derrame crônico pode causar alterações na pigmentação do fundo do olho, criando um padrão visual que chamamos de “manchas de leopardo”.

Sangue no Canal de Schlemm: Visível durante o exame de gonioscopia.

Hipermetropia e Nanoftalmia: Pacientes com olhos pequenos (comprimento axial menor que 20 mm) e alto grau de hipermetropia têm uma predisposição maior, pois frequentemente possuem escleras mais espessas.

Para confirmar o diagnóstico, utilizamos a Ultrassonografia (B-scan), que nos permite visualizar o espessamento da esclera e a membrana lisa e imóvel do descolamento.

O Tratamento é Cirúrgico?

Sim, na maioria dos casos idiopáticos (sem causa externa conhecida). É fundamental entender que esses pacientes respondem mal ao tratamento com colírios de corticosteroides.

Como o problema é estrutural, a esclera grossa que impede a saída de proteínas, o tratamento mais eficaz envolve cirurgias de afinamento da esclera, conhecidas como esclerectomias de espessura parcial. Ao removermos camadas da esclera em quadrantes específicos, reduzimos a resistência e permitimos que o fluido seja drenado, facilitando a reconexão da retina. Em casos mais graves, podemos combinar isso com a vitrectomia.

Entendendo a Maculopatia por Hipotonia

Enquanto a Efusão Uveal pode ter pressão normal, a Maculopatia por Hipotonia é definida justamente pelas alterações estruturais causadas pela baixa pressão intraocular.

A hipotonia (pressão muito baixa) pode ocorrer por diversos motivos, sendo muito comum após cirurgias de glaucoma (devido ao uso de antimetabólitos), traumas ou inflamações. Fatores como ser jovem, míope e do sexo masculino aumentam o risco.

Como a Baixa Pressão Afeta a Visão?

Quando a pressão do olho cai muito, a parede ocular “murcha” levemente, causando dobras na retina e na coróide. Os principais sintomas e achados incluem:

Dobras Coriorretinianas: Irregularidades que irradiam do nervo óptico, podendo formar um padrão estrelado na mácula (o centro da visão).

Edema do Nervo Óptico: Inchaço no disco óptico.

Tortuosidade Vascular: Os vasos sanguíneos ficam mais tortuosos e ingurgitados.

Baixa de Visão: A perda visual pode ser profunda se a hipotonia persistir.

Caminhos para a Recuperação

A boa notícia é que a visão costuma melhorar após a restauração da pressão intraocular normal. O tratamento depende da causa da hipotonia. Se for pós-cirúrgica (excesso de filtração), podemos precisar de procedimentos para fechar vazamentos ou ajustar a cirurgia anterior. Se for inflamatória, o uso de corticosteroides pode ser necessário.

Conclusão

Tanto a Síndrome de Efusão Uveal quanto a Maculopatia por Hipotonia são condições que exigem um olhar especialista. Enquanto uma envolve a dificuldade de drenagem de proteínas pela esclera, a outra lida com as consequências da falta de pressão interna no olho.

Se você apresenta sintomas como distorção visual, baixa de visão ou possui condições preexistentes como nanoftalmia (olho pequeno), a avaliação detalhada, incluindo ultrassonografia e exame de fundo de olho, é essencial para o tratamento correto.

Cuide da sua visão com quem entende a complexidade dos seus olhos.

Com vasta experiência e dedicação à saúde ocular,
Dra. Louize oferece um atendimento personalizado e de excelência, priorizando sempre o bem-estar e a qualidade
de vida dos seus pacientes. Para agendamentos e mais informações, entre em contato conosco.

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