logo

Tratamento da Retinopatia Diabética Proliferativa: Laser ou Injeção? Resultados de 5 Anos

Por Dra. Louize Galletti

Hoje quero conversar com vocês sobre um dos temas que mais geram dúvidas no consultório e que afeta milhares de pacientes: o tratamento da retinopatia diabética proliferativa (RDP).

A RDP é a principal causa de cegueira entre adultos em idade ativa nos Estados Unidos, contribuindo com 12.000 a 24.000 novos casos todos os anos. Como oftalmologista, sei que receber esse diagnóstico pode gerar apreensão, mas a ciência oftalmológica tem avançado de forma extraordinária. Desde a década de 1970, a fotocoagulação panretiniana (PRP), que é o nosso conhecido tratamento a laser, tem sido o cuidado padrão para pacientes com essa condição. No entanto, mais recentemente, as injeções intravítreas de medicamentos anti-fator de crescimento endotelial vascular (anti-VEGF), como o ranibizumabe, surgiram como uma alternativa altamente tecnológica para o manejo da doença. A grande dúvida é: qual é a melhor opção a longo prazo?

O que dizem os estudos de longo prazo?

Para oferecer a melhor conduta aos meus pacientes, acompanho de perto ensaios clínicos rigorosos, como o realizado pela Diabetic Retinopathy Clinical Research Network (DRCR.net). Este grande estudo multicêntrico acompanhou participantes ao longo de 5 anos para avaliar a eficácia e a segurança do ranibizumabe em comparação com o tradicional laser. O estudo englobou 394 olhos de adultos com RDP e boa capacidade visual inicial. Metade foi tratada com injeções e a outra metade com sessões de fotocoagulação.

A notícia mais animadora que extraímos desses dados é que, após 5 anos, a acuidade visual na maioria dos olhos estudados foi muito boa e bastante semelhante em ambos os grupos de tratamento. A média da visão alcançada por esses pacientes foi de 20/25 (naquela famosa tabela de letras que usamos no consultório), uma visão excelente para as atividades diárias. Além disso, casos de perda visual severa ou complicações graves, como o glaucoma neovascular, foram eventos raros tanto no grupo do laser quanto no da injeção.

As Vantagens do Tratamento com Injeções (Ranibizumabe)

Apesar de o laser ser uma ferramenta consagrada e segura, o estudo demonstrou que o uso das injeções de ranibizumabe oferece algumas vantagens consideráveis. Pacientes tratados com as injeções apresentaram taxas bem menores de desenvolvimento de edema macular diabético, uma complicação que incha a retina e prejudica a visão. Para ilustrar em números, os olhos sem edema inicial tiveram uma chance de apenas 22% de desenvolvê-lo com as injeções, contra 38% no grupo tratado com laser.

Outro ganho significativo com o ranibizumabe foi uma menor perda do campo visual periférico ao longo do tratamento. Também observou-se que o grupo do laser apresentou um número maior de casos de descolamento de retina (18% contra apenas 7% no grupo da injeção) e necessitou de mais cirurgias de vitrectomia (22% contra 15%). Vale tranquilizar que, felizmente, a grande maioria desses descolamentos no grupo do laser não chegou a ameaçar o centro da visão.

O Fator Decisivo: Frequência e Disciplina

Se as injeções são tão boas, por que não as indicamos para todos indiscriminadamente? Aqui entra a realidade do dia a dia do paciente. O tratamento com ranibizumabe exige um comprometimento imenso com o retorno à clínica. Durante o primeiro ano, os pacientes precisaram, em média, de 7 injeções. Embora esse ritmo diminua para uma média de cerca de 3 injeções por ano nos períodos seguintes, o total ao longo de 5 anos foi de cerca de 19,2 injeções no grupo do ranibizumabe. Por outro lado, o grupo do laser precisou de muito menos idas focadas em injeções (uma média de apenas 5,4 injeções em 5 anos, aplicadas apenas quando havia edema macular associado).

Qual é a melhor escolha?

Os achados médicos apoiam firmemente que tanto o ranibizumabe quanto a fotocoagulação a laser são tratamentos altamente viáveis e excelentes para proteger a sua visão contra a RDP. Como oftalmologista, minha recomendação final nunca é baseada apenas em um protocolo rígido, mas na sua realidade.

Ao decidirmos o seu tratamento, devemos considerar fatores muito pessoais: a sua facilidade em comparecer frequentemente às consultas, os custos associados a cada modalidade e o seu estado de saúde geral. O mais reconfortante é saber que, independentemente da escolha entre o laser ou a injeção, com disciplina e acompanhamento contínuo, a preservação da sua qualidade de visão a longo prazo é um objetivo totalmente alcançável. Agende sua consulta e vamos juntos cuidar do seu futuro visual!

Com vasta experiência e dedicação à saúde ocular,
Dra. Louize oferece um atendimento personalizado e de excelência, priorizando sempre o bem-estar e a qualidade
de vida dos seus pacientes. Para agendamentos e mais informações, entre em contato conosco.

AGENDE A SUA CONSULTA