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Oclusão Venosa da Retina: Tudo o que Você Precisa Saber Sobre o Diagnóstico e Tratamento

Por Dra. Louize Galletti

Hoje vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre a Oclusão Venosa da Retina, a segunda causa mais frequente de doença vascular da retina. Entender essa condição é fundamental, pois, apesar de atingir homens e mulheres de forma semelhante, seu pico de incidência ocorre entre os 60 e 79 anos de idade, mostrando que o envelhecimento é um fator de risco importante.

Abaixo, trago a minha interpretação clínica sobre a doença, suas causas, como fazemos o diagnóstico no consultório e os tratamentos mais modernos disponíveis hoje.

Na oftalmologia, dividimos essa condição basicamente em dois tipos principais: a Oclusão da Veia Central da Retina (OVCR) e a Oclusão de Ramo Venoso Retiniano (ORVR).

A grande maioria dos casos de Oclusão de Ramo Venoso ocorre no chamado “quadrante temporal superior” do olho. Isso acontece devido à maior quantidade de cruzamentos arteriovenosos nessa região específica da retina. A boa notícia é que a ORVR costuma ter um prognóstico melhor: cerca de 40% dos casos evoluem para uma visão de 20/40 ou melhor mesmo sem tratamento. Já a Oclusão da Veia Central (OVCR) é mais severa e frequentemente resulta em perda visual irreversíve.

O controle da saúde sistêmica é inegociável para a saúde da visão. Na Oclusão Venosa da Retina, os principais fatores de risco são doenças que afetam o corpo todo, como:

  • Hipertensão arterial sistêmica (HAS): presente em 48% dos casos.
  • Dislipidemia (colesterol alto): 20% dos casos.
  • Diabetes mellitus (DM): 5% dos casos.
  • Tabagismo: aproximadamente 10%.

Além disso, obesidade, disfunção renal, glaucoma e vasculites retinianas também contribuem para o risco. Em pacientes mais jovens e sem esses fatores convencionais, ou quando o problema ocorre nos dois olhos, precisamos investigar distúrbios de coagulação do sangue, como hiper-homocisteinemia, deficiência de proteína C e S, e Fator V de Leiden.

A fisiopatologia da doença é multifatorial. Geralmente, nos cruzamentos arteriovenosos (onde uma artéria e uma veia compartilham a mesma “capa” ou camada adventícia), uma artéria endurecida pela arteriosclerose comprime a veia. Isso gera uma turbulência no fluxo de sangue, causando dano na parede do vaso e formação de trombos (coágulos).

Essa obstrução mecânica aumenta a pressão nos vasos, fazendo com que o líquido vaze para o tecido da retina, causando o que chamamos de Edema Macular. Outro ponto crucial é a falta de oxigenação (hipóxia) na região afetada, que leva o olho a produzir uma substância chamada VEGF (Fator de Crescimento Endotelial Vascular). O VEGF é o grande “vilão” aqui, pois aumenta drasticamente a permeabilidade dos vasos e quebra a barreira da retina, gerando exsudação e podendo causar até mesmo glaucoma neovascular.

Os pacientes costumam relatar perda de visão súbita e indolor, defeitos no campo visual e percepção de “moscas volantes” (manchas flutuantes).

Para um diagnóstico preciso e para diferenciar os quadros recentes dos mais antigos, utilizamos exames de alta tecnologia:

  • Angiografia Fluoresceínica: Essencial para diferenciar as formas isquêmicas (com falta de sangue grave) das não isquêmicas, avaliando o extravasamento de corante.
  • OCT (Tomografia de Coerência Óptica): Padrão-ouro para confirmar a presença do edema macular e verificar a integridade das camadas da retina.
  • OCT-A (Angio-OCT): Permite avaliar as áreas de isquemia macular em detalhes.

A oftalmologia evoluiu muito e hoje não estamos mais de mãos atadas. Tratamos as consequências graves da oclusão (como o edema macular e a neovascularização) baseados em estudos científicos robustos:

  1. Laser (Fotocoagulação): Estudos clássicos como o BVOS mostraram a eficácia do laser setorial para prevenir hemorragias e do “grid macular” para tratar o edema.
  2. Corticosteroides: O uso de implantes de dexametasona (estudo GENEVA) é uma opção terapêutica viável para secar o edema, embora demande cuidado com possíveis efeitos adversos, como o aumento da pressão ocular.
  3. Terapia Anti-VEGF: Este é o pilar moderno do tratamento. Medicamentos que inibem o VEGF (como Ranibizumabe, Aflibercepte, Bevacizumabe e Faricimabe) demonstraram melhora significativa na visão de nossos pacientes em grandes estudos (BRAVO, VIBRANT, BALATON, COMINO). Atualmente, com medicações mais recentes como o Faricimabe e o Aflibercepte 8mg (Eylea HD), alcançamos o potencial de manter a visão estendendo os intervalos de aplicação em até 16 semanas para alguns pacientes.

Como “Take Home Message”, deixo os seguintes aprendizados para quem foi diagnosticado com a condição: classificar corretamente o tipo de oclusão é o primeiro passo para o sucesso. Se houver edema macular, precisamos tratar cedo, com abordagens individualizadas para o seu perfil. E, acima de tudo, lembre-se de que o controle sistêmico impacta diretamente no resultado visual: controlar sua pressão arterial, diabetes e colesterol otimiza as chances de preservar a sua visão com qualidade.

Agende sua avaliação de rotina e mantenha a saúde dos seus olhos em dia!

Com vasta experiência e dedicação à saúde ocular,
Dra. Louize oferece um atendimento personalizado e de excelência, priorizando sempre o bem-estar e a qualidade
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