Por Dra. Louize Galletti
Quando falamos sobre a saúde da visão na maturidade, a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) surge como a principal causa de perda visual no mundo ocidental. Como oftalmologista, meu objetivo não é apenas diagnosticar, mas garantir que o tratamento, especificamente o uso de inibidores do fator de crescimento endotelial vascular (anti-VEGF), seja administrado com a máxima precisão.
Recentemente, analisei dados científicos que reforçam uma prática essencial em meu consultório: a utilização da Tomografia de Coerência Óptica de Domínio Espectral (SD-OCT) para guiar nossas decisões de tratamento. Gostaria de compartilhar como essa tecnologia muda o prognóstico dos meus pacientes.

A Experiência Clínica versus a Tecnologia
Muitos pacientes me perguntam se apenas o exame clínico tradicional, aquele feito com a lâmpada de fenda, é suficiente para determinar a necessidade de uma nova injeção intraocular. A ciência nos mostra que a resposta tende a ser não.
Um estudo observacional prospectivo avaliou 49 olhos de 44 pacientes com DMRI exsudativa após a fase inicial de tratamento (três injeções mensais). O objetivo era comparar a precisão de médicos residentes (com 3 a 4 anos de experiência) versus especialistas (com mais de 5 anos de experiência) na decisão de continuar ou não o tratamento.
Os resultados foram reveladores:
1. Sem o auxílio do SD-OCT, tanto especialistas quanto residentes teriam deixado de tratar pacientes que realmente precisavam.
2. Sem essa tecnologia, o tratamento necessário teria sido falsamente interrompido em um terço ou até 50% dos pacientes.
3. Isso é alarmante, pois o atraso no tratamento pode resultar em perda irreversível da visão.
O Poder do SD-OCT na Detecção de Detalhes
O exame de SD-OCT fornece imagens detalhadas da estrutura da retina in vivo, tornando-se uma ferramenta indispensável. O estudo demonstrou que, ao utilizar o OCT, todos os examinadores se beneficiaram significativamente.
O mais interessante é que o uso do OCT nivelou o conhecimento: com o exame em mãos, residentes e especialistas atingiram um nível de precisão semelhante. A tecnologia permitiu detectar sinais sutis de atividade da doença que o exame clínico isolado deixou passar, como:
• Pequenas quantidades de fluido subretiniano.
• Descolamento do epitélio pigmentar, muitas vezes confundido com edema no exame simples.
• Cistos intrarretinianos pequenos e excêntricos.
Por Que Isso Importa Para Você?
Na prática diária, dados da vida real sugerem que pacientes muitas vezes recebem menos injeções do que o necessário, o que impede a estabilização visual ideal. A tendência científica atual aponta para uma estratégia de “tolerância zero” em relação a fluidos na retina na DMRI.
O SD-OCT se mostrou mais sensível tanto para detectar a atividade da doença quanto para confirmar sua inatividade. Portanto, a interpretação correta dessas imagens resulta em um número significativamente maior de pacientes recebendo o tratamento correto, evitando a subutilização da terapia que leva à perda visual.
Em meu atendimento, a união entre a experiência clínica e a tecnologia de ponta do SD-OCT é inegociável. Essa abordagem garante que não percamos detalhes cruciais, oferecendo a segurança de que estamos fazendo todo o possível para preservar sua visão.