Por Dra. Louize Galletti
Bem-vindos ao meu site! Hoje, quero compartilhar com vocês uma interpretação aprofundada sobre como a tecnologia tem revolucionado a forma como nós, oftalmologistas, acompanhamos e tratamos uma das doenças oculares mais desafiadoras da atualidade: a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). Compreender essas inovações é essencial para garantir a saúde dos seus olhos.

O Impacto da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)
A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é um tema que exige muita atenção na nossa prática oftalmológica. Trata-se da terceira principal causa de cegueira em todo o mundo e a principal causa primária de perda de visão no mundo ocidental. Lidar com essa condição significa buscar constantemente os melhores recursos para estabilizar a visão dos nossos pacientes e garantir sua qualidade de vida.
Atualmente, a terapia baseada no uso de fatores de crescimento endotelial vascular (terapia anti-VEGF), como o aflibercepte, tornou-se o tratamento principal e de primeira linha para a DMRI úmida (ou exsudativa), graças aos excelentes resultados demonstrados em diversos ensaios clínicos. Antes do advento das terapias anti-VEGF, o tratamento de primeira linha era a Terapia Fotodinâmica (PDT) utilizando verteporfina. Hoje em dia, a PDT ainda tem um papel fundamental e continua sendo utilizada, especialmente em casos de vasculopatia da coroide polipoidal (PCV) ou em situações que se mostram refratárias aos medicamentos anti-VEGF.
Como Funciona o Tratamento Combinado na Prática?
Para controlar a atividade da doença de forma mais robusta, muitas vezes combinamos esses dois métodos. No procedimento de Terapia Fotodinâmica, injetamos a verteporfina de forma intravenosa durante 10 minutos, seguida pela aplicação de um laser de 689 nanômetros (com energia de 50 J/cm²) por 83 segundos. Imediatamente após esse laser, utilizamos a injeção intravítrea de aflibercepte (IVA), aplicada na cavidade vítrea do olho de forma segura, com uma agulha ultrafina de calibre 30, a cerca de 3,5 a 4,0 mm do limbo da córnea. Esta abordagem combinada atua diretamente contra os vasos anormais que causam vazamentos e comprometem a visão.
A Revolução do SS-OCTA no Monitoramento Sem Contraste
O grande desafio, no entanto, não é apenas tratar, mas monitorar a resposta do paciente. Historicamente, os exames que utilizamos para o diagnóstico da DMRI envolvem a angiofluoresceinografia (FA) e a angiografia com indocianina verde (ICGA). Embora sejam importantes, eles exigem o uso de agentes de contraste intravenoso, o que torna difícil a repetição frequente do exame e pode dificultar a observação detalhada da morfologia dos novos vasos sanguíneos anormais, chamados de neovascularização de coroide (CNV), devido ao vazamento excessivo de corante.
A Tomografia de Coerência Óptica (OCT) é outra ferramenta essencial, sendo indispensável para avaliar a atividade da doença por fornecer imagens transversais da retina de modo não invasivo. Porém, ela sozinha não avalia totalmente a extensão e distribuição da CNV. É aqui que entra o grande avanço: o SS-OCTA, ou Angiografia por Tomografia de Coerência Óptica Swept-Source.
O SS-OCTA é uma modalidade de imagem inovadora que permite a visualização detalhada da circulação da retina e da coroide sem a necessidade de nenhum contraste intravenoso. Por ser um exame totalmente não invasivo, podemos repeti-lo sempre que necessário para analisar os padrões microscópicos dos vasos. Nós usamos padrões de varredura precisos, como cubos maculares de 3×3 milímetros, para mapear a área da doença.
Resultados Clínicos: O Que Observamos Após o Tratamento?
Ao observar os resultados do SS-OCTA em pacientes com idade média de 73 anos que realizaram a terapia combinada de PDT e Aflibercepte, descobrimos informações valiosas sobre como o corpo reage. Antes do tratamento, o equipamento conseguiu detectar claramente o sinal dos vasos anormais (CNV) em todos os casos. Apenas um mês após o procedimento, ocorreu uma diminuição expressiva desse sinal; em alguns pacientes, o sinal desses vasos doentes desapareceu completamente nos exames.
Ao longo dos meses seguintes (durante um período de três meses de acompanhamento), as áreas que indicavam esses vasos começaram a aumentar gradualmente novamente, num processo conhecido como “remodelamento”, mas, de forma encorajadora, não retornaram ao tamanho original de antes do tratamento. A exsudação (o vazamento de fluidos que prejudica a visão) se resolveu ou se manteve inalterada sem a necessidade de novas injeções em alguns casos, embora tenha havido recorrência em outros. Além disso, notamos que a presença ou ausência do sinal de CNV no aparelho pode ser um ótimo indicador da atividade da doença. Em um caso específico em que o sinal dos vasos desapareceu por completo e não voltou, o paciente também não teve recorrência da exsudação de fluidos.
O Comportamento do Fluxo Sanguíneo Ocular
Também avaliamos o fluxo da “coriocapilar” – uma importante camada de pequenos vasos abaixo da retina. O SS-OCTA demonstrou que essa circulação fica temporariamente reduzida no primeiro mês após a aplicação da PDT e do aflibercepte, mas o organismo mostra uma capacidade fantástica de recuperação, retornando ao fluxo sanguíneo normal dentro de três meses após o tratamento em todos os casos avaliados. Outro achado impressionante capturado pela tecnologia foi a visualização de um “vaso nutridor” (feeder vessel), a partir do qual a rede vascular anormal se origina, ressaltando o quão profunda e detalhada pode ser a nossa investigação.
Em resumo, a utilização do SS-OCTA marca um novo capítulo na oftalmologia. É uma tecnologia excepcional e útil para monitorar de forma segura e não invasiva a morfologia dos vasos sanguíneos após os tratamentos para a Degeneração Macular. Com isso, conseguimos personalizar ainda mais os cuidados, entendendo como o globo ocular reage e se remodela gradualmente após cada intervenção médica. Manter seus exames oftalmológicos atualizados com a melhor tecnologia disponível é a chave para proteger a sua visão a longo prazo!