logo

Degeneração Macular ou Distrofia? O Desafio do Diagnóstico Correto na Oftalmologia

Por Dra. Louize Galletti

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é, atualmente, a principal causa de cegueira irreversível na população idosa no mundo ocidental. Na minha prática oftalmológica diária, é muito comum receber pacientes ansiosos ao notarem as primeiras alterações na visão central. Clinicamente, a DMRI apresenta-se de forma bastante heterogênea, manifestando-se através de drusas (pequenos depósitos na retina), alterações de pigmentação, atrofia geográfica e, em casos mais graves, a neovascularização coroidal.

Contudo, um dos grandes desafios da oftalmologia moderna é que não existem características clínicas que sejam exclusivamente exclusivas da DMRI. Devido à grande variabilidade dessa doença, existe uma sobreposição clínica considerável com diversas outras doenças chamadas de distrofias maculares. Essas distrofias imitam perfeitamente as características da DMRI, o que pode levar a erros de diagnóstico se a investigação não for extremamente meticulosa.

O Risco do Diagnóstico Incorreto e o Uso de Suplementos

Diferenciar a DMRI de outras desordens maculares não é apenas um preciosismo médico; é uma etapa crítica que tem implicações diretas no prognóstico do paciente, no aconselhamento genético e nas estratégias de tratamento.

Um excelente exemplo prático do porquê o diagnóstico exato é fundamental envolve o uso de vitaminas. Sabemos que muitos pacientes com DMRI utilizam suplementos nutricionais que contêm betacaroteno (um derivado da vitamina A) com o intuito de prevenir a progressão para estágios avançados da doença. No entanto, existe uma distrofia que imita a DMRI chamada Doença de Stargardt de início tardio. Se um paciente com Stargardt for diagnosticado erroneamente com DMRI e receber suplementação de vitamina A, isso será extremamente prejudicial. Na doença de Stargardt, a vitamina A pode acelerar dramaticamente o acúmulo de toxinas (lipofuscina) no epitélio pigmentar da retina, piorando a degeneração visual. Portanto, um erro diagnóstico pode levar a recomendações que são ativamente prejudiciais à sua visão.

As “Falsas” DMRI: Principais Distrofias Maculares

A gama de doenças genéticas e hereditárias que se disfarçam de degeneração macular é vasta. De forma didática, podemos observar grupos específicos de manifestações:

  • Depósitos semelhantes a drusas: Algumas distrofias, como a Malattia leventinese e a Distrofia de Fundo de Sorsby, causam o acúmulo de material sob a retina muito parecido com as drusas da DMRI. Na distrofia de Sorsby, inclusive, os pacientes apresentam alta propensão ao desenvolvimento rápido de vasos sanguíneos anormais (neovascularização), o que leva a uma grave perda de visão, frequentemente iniciando os sintomas com problemas de adaptação ao escuro. Outras como a Distrofia Macular da Carolina do Norte apresentam lesões precocemente ainda na infância, com curso geralmente mais estável.
  • Manchas e lesões irregulares: Podemos encontrar lesões de aparência amarelada (flecks) na Doença de Stargardt e nas Distrofias Padrão (que possuem forte associação genética com os genes ABCA4 e PRPH2, respectivamente).
  • Lesões Viteliformes: São lesões que lembram o aspecto de uma “gema de ovo”, presentes, por exemplo, na Distrofia Macular Viteliforme de Best e na Distrofia Foveomacular Viteliforme do Adulto.
  • Doenças Sistêmicas: Curiosamente, anomalias maculares podem ser o aviso do corpo para outras síndromes. Pacientes com mutações mitocondriais específicas (m.3243A>G) podem ter distrofia de retina associada a surdez e diabetes. Já as estrias angioides na retina são frequentemente causadas por uma doença sistêmica chamada Pseudoxantoma Elástico, que afeta os vasos sanguíneos do coração e o trato gastrointestinal.

Tecnologias Avançadas a Favor do Diagnóstico

Com o avanço formidável na tecnologia de imagens da retina e dos testes genéticos, hoje temos um verdadeiro arsenal para definir a condição exata do paciente. A Autofluorescência de Fundo (FAF), por exemplo, é sem dúvida uma das ferramentas mais valiosas para distinguirmos essas distrofias. Ela nos permite mapear o metabolismo da retina e ver o acúmulo de lipofuscina. Nas distrofias hereditárias, a FAF costuma revelar padrões visuais fortíssimos e muito mais dramáticos que na DMRI, servindo como uma verdadeira “impressão digital genética” da doença.

Também utilizamos a Tomografia de Coerência Óptica de Domínio Espectral (SD-OCT), um exame em altíssima resolução que nos mostra a localização anatômica precisa dos depósitos (drusas ou flecks) camada por camada da retina. Outros recursos incluem a angiografia com fluoresceína e exames eletrofisiológicos, como o eletrorretinograma (ERG) e o eletro-oculograma (EOG), este último indispensável para diagnosticar a distrofia de Best, onde sua resposta é marcadamente anormal.

Por fim, traçar o histórico familiar do paciente e recorrer aos exames genéticos pode confirmar definitivamente a mutação causadora e orientar não apenas o paciente, mas toda a sua família.

A Importância do Acompanhamento Especializado

A oftalmologia caminha a passos largos e terapias genéticas ou baseadas em células-tronco começam a se desenhar como opções futuras maravilhosas para os portadores de distrofias. Por isso, realizar um diagnóstico rigoroso e diferenciado da DMRI não é apenas dar o nome correto ao problema; é fornecer aconselhamento genético adequado, evitar terapias que possam prejudicar a saúde celular do seu olho e personalizar tratamentos para que possamos proteger ao máximo o seu dom precioso de enxergar

Com vasta experiência e dedicação à saúde ocular,
Dra. Louize oferece um atendimento personalizado e de excelência, priorizando sempre o bem-estar e a qualidade
de vida dos seus pacientes. Para agendamentos e mais informações, entre em contato conosco.

AGENDE A SUA CONSULTA